Os dedos

Quando pequena decidi que seria uma escritora. Então dediquei-me a minha primeira obra: O Mundo dos Dedos. Uma obra fictícia de uma criança de três anos sobre uma familia de dedos do pé não polidactlo, ou seja, eram cinco ao todo. Havia um pequeno problema: eu não sabia escrever. Então passei a desenhar, essa era a minha leitura, como qualquer ecritor passei a observar a vida.

Então vi o primeiro dedinho sangrento. O médico, estava a estrair uma unha de uma empregada doméstica sem anestesia e ela gritava desesperada, decidi então que todos os dedinhos seriam decapitados. Minha mãe riu. “Criança criativa essa nossa!”

Quando iamos ao pronto socorro eu saia correndo toda vez que a ambulãncia chegava. “De quem é essa criança tão pequena?”, indagavam os médicos e enfermeiros, “volte já para a casa!”, falava meu pai em voz audível e semblante rábido. Para mim, todas as crianças tinham que ver de vez em quando um cranio partido, um olho furado ou uma fratura externa.

Com o tempo aprendi que minha “arte não deveria ser exposta” pois “arte é algo que se deve guardar para si”. Quando prolonguei meus horizontes artísticos entendi que “arte é algo que deve ser vendido, copiado e prostituído” e também já que eu não vendia não era uma artista. Então rejeito a arte, a arte é uma visão do mundo e minhas lentes sempre foram distorcidas.

Em busca de respostas? Eu também, então deixe seu comentário, opinião ou sugestão que lerei com muito carinho

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