Banalização do Significado do Visual Underground

E aí garotas(os), espero que vocês estejam a fim de ler hoje =D.

Fonte: DeviantArt

Vou começar o post confessando a vocês que quando as atuais séries “vampirescas” entraram em moda, eu fiquei muito feliz.

Explico-me: quando tinha uns 12-13 anos morava em uma cidade pequena, agora média, do interior de São Paulo. Pois bem, foi  nesse período que me descobri apaixonada pela arte e literatura romântica, bem como pela moda underground (em suas variadas vertentes). Entretanto, apesar da internet, ainda era muito difícil encontrar roupas nesse estilo na minha cidade. Não existiam – e não existem – lojas físicas de moda underground, seja ela punk, gótica, grunge, death rocker, etc., onde as pessoas pudessem comprar roupas que expressassem suas idéias e crenças. É claro que em “lojas normais” era possível encontrar peças que, com um pouco de criatividade e bastante customização, serviriam para esse intuito, Era interessante ver os góticos, punks e metaleiros daquela época, pois se pareciam muito com o que eu imagino quando penso nos vampiros do cemitério da França descritos em O Vampiro Lestat – posteriormente os vampiros do Teatro dos Vampiros.

Fonte: DeviantArt

Por isso fiquei feliz com a modinha dos vampiros que brilham, que podem sair ao sol e que são bonzinhos. Não estou dizendo que gostei das séries, mas foi maravilhoso conseguir encontrar peças mais ou menos “góticas” em qualquer lojinha de esquina. Melhor que isso, foi super legal encontrar blusas, saias, calças em estilo mais metal* nessas grandes redes de varejo, com preços que cabem em qualquer bolso. Sem falar nos colares, braceletes, anéis de caveira,  e acessórios inspirados na moda vitoriana. Não vou ser hipócrita aqui: aproveitei mesmo essa onda!

Entretanto, a alegria durou pouco.
Isso porque a moda underground não deveria ser apenas uma forma diferente de se vestir mas sim uma forma diferente de se expressar. E não é expressar qualquer coisa. A moda underground representava uma subcultura ou “culturas undergrounds” e se vestir de acordo com esse ou aquele estilo significava dizer ao mundo que você compartilhava das idéias que aquela subcultura pregava.

Antigamente aqueles que usassem roupas escuras, maquiagem pesada, moicano, coturno, piercing, tatuagem eram sinônimos de adolescentes/jovens esquisitos, rebeldes e problemáticos. Ainda hoje somos hostilizados pelo nosso estilo, afinal, nunca falta um ignorante que julga a “causa” sem conhecê-la.  Mas entendo que agora o que é alternativo está tão difundido que virou mainstream. Quer dizer, para aquelas pessoas menos preconceituosas, somos apenas pessoas diferentes mas estilosas e não mais os jovens esquisitões e problemáticos de ontem. Isso é bom e ruim ao mesmo tempo.

Fonte: DeviantArt

É ótimo não ser mais olhada com cara de nojo toda vez que eu piso na rua. Porém, a popularização de símbolos que eram próprios dos punks, góticos, metaleiros, etc., etc., não motivou a maioria das pessoas a parar para pensar o que elas estão vestindo, nem o que essas insígnias representam. E isso é triste por diversas razões. Não preciso dizer aqui o quanto é triste ver aquela pessoa que você sabe que curte pagode, funk, axé, adotando, por exemplo, um estilo rocker. Da mesma forma que é muito decepcionante encontrar pessoas aderindo ao visual gótico sem entender nada da subcultura. E o que é mais revoltante ainda é saber que essas mesmas pessoas vão mudar de estilo assim que a moda mudar de foco e sairão depreciando o meio underground, afinal, para eles, isso não passou de uma modinha ou de uma “fase ridícula de adolescente”.

Lendo mais sobre isso no Moda de Subculturas pude notar que esse fenômeno que tenho percebido a pouco tempo, na verdade não é novidade. A Sana, owner do Moda de Subcultura, está fazendo uma série muito interessante a respeito dessa perda dos valores que existiam intrinsecamente na moda das subculturas e também do que ela chama de “hibriditização de estilos”. Recomendo MUITO a leitura dessa série de posts  para quem ainda não viu e está interessado em entender melhor essa questão. Sim, é muita leitura, mas acredito que vale cada minuto gasto nela.

Subculturas Alternativas: Elas Ainda Existem?
Subculturas Alternativas: A Monocultura
Subculturas Alternativas: Consumo, Imagem e Moda

Outros posts que recomendo:
Moda Mainstream Influenciando a Moda Alternativa
Não sou mais tão estranha…

* Não estou dizendo aqui que gótico é sinônimo de metal

4 Responses to “Banalização do Significado do Visual Underground”

  1. Eu visito sempre esse site pra ver o que eles encontraram a mais sobre moda de subculturas e acho bem bacana tudo por lá. E aqui também! Criei um blog ontem e acho que os nossos tem um pouco a ver, então se puder dar uma olhada por lá e ver se gosta eu vou adorar! Beijos e tudo de bom com o blog!

  2. Passa o link do teu blog ^^

  3. Olá meninas!Valeu por gostarem dos posts sobre as subculturas e a pós modernidade.Não conhecia aqui, já estou acompanhando!Bjs!

  4. real isso tudo que você falou é verdade,tenho percebido q até quem hostiliza-me na escola anda aderindo a essa *moda*, também achei ótimo essa popularização pois é mais fácil\barato acharmos coisas underground nas lojas

Em busca de respostas? Eu também, então deixe seu comentário, opinião ou sugestão que lerei com muito carinho

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