Dica de Livro: O Príncipe

Bonjour!

Como passaram de Reveillón? Espero que tenham se divertido ^^
Sinceramente, fim/começo de ano é um momento em que eu fico bastante pra baixo. Não sei explicar exatamente porque, só sei que depois da euforia do Natal me bate um sentimento ruim, uma sensação de perda…
Para afastar esses sentimentos negativos tomo algumas atitudes: desenho, leio, escrevo para o blog rsrs, faço atividades manuais, ando um pouco pelo bairro com meu mp3 munido de minhas músicas favoritas.

Se você também se encontra nessa situação, proponho de verdade o cardápio acima, pelo menos, é o que funciona para mim ^^
Hoje quero sugerir especificamente um livro para leitura: O Príncipe, de Nicolau Maquiavel.

Sinopse: “Sob a atmosfera inquieta da Renascença e dominado pela ideia da unidade italiana, Maquiavel escreve “O príncipe”. Nele tenta definir o poder, as formas de governo, as virtudes do soberano e uma nova ética do fazer político. O texto reflete as condições da época, o combate às tradições medievais e é notável a abordagem livre de fatos históricos. Maquiavel deixou como legado, sobretudo com este escrito, uma contribuição essencial para a ciência política.”

Talvez você já até tenha lido, porque afinal de contas é um clássico. Mas você sabe por que é um livro tão importante? Porque ele revolucionou o que ficou conhecido como “espelho de príncipe“. Para explicar o que diabos eram esses espelhos de príncipes, utilizarei fragmentos de um trabalho que fiz para a faculdade.

“Durante séculos foram escritos manuais que visavam educar governantes a respeito de como deveriam conduzir seus Estados. Na Antiguidade, esse tipo de manuais visava não só ao líder, como também a todo o grupo de cidadãos. Já durante a Idade Média ocorre uma mudança. Surge o chamado regimen animarum, o governo das almas, que tencionava salvar a humanidade dos pecados da carne. De cunho eclesiástico esse tipo de manual foi substituído pelo regimen político.

Foi no fim do século XII que apareceu o primeiro tratado sobre o governo do príncipe. Nesse momento, o Speculum tem a função de espelho do príncipe, no qual ele está refletido para os cidadãos que conduz. Assim como os espelhos comuns foram inventados para que os homens conhecessem a si, o Speculum reflete aos homens o exemplo que devem seguir, ou seja, o exemplo do príncipe, que por sua vez, não só é um enviado divino, como também, assemelha-se a Deus. A seguir, apareceram também os primeiros ensaios direcionados aos príncipes, especificamente, ou seja, textos de caráter moral que pretendiam mostrar qualidades que eles deveriam desenvolver.

A partir da segunda metade do século VX, esses livros de conselhos tiveram seu apogeu. Diversos tratados foram escritos com o intuito não apenas de aconselhar os cortesãos, mas principalmente para o uso dos príncipes. Os diversos autores desse gênero além de apresentar o príncipe como um modelo a ser seguido por seus súditos,

também oferecia ao monarca a oportunidade de fazer uma autoanálise, e utilizar outros príncipes e dirigentes como exemplo de sucesso ou fracasso. (…) Portando, o príncipe precisava ser um exemplo de prudência, sabedoria, justiça e temperança, assim como ter uma alma inabalável, ser generoso, cumprir suas promessas e ter todas essas qualidades sustentadas pelos princípios da fé cristã, para alcançar glória e ser honrado. Outra característica importante dos ensaios escritos na Renascença foi a preocupação que os diversos autores desse gênero dedicaram ao enfatizar a importância do stato do príncipe, ou seja, sua área de domínio, bem como sua autoridade, ou ainda a máquina do governo.

Entre tantos autores famosos que se dedicaram a escrever manuais de governo, o que mais se destacou certamente foi Nicolau Maquiavel com seu O Príncipe. Assim como seus antecessores, e até mesmo outros escritores de sua época, Maquiavel enfatizou a validade da busca incessante pelo monarca em conquistar honra, glória e fama. Entretanto, afirmou que nem sempre o príncipe pode governar segundo a virtú ou até mesmo, seguindo os preceitos cristãos. Seria então necessário, que o governante soubesse administrar seu stato tanto de forma virtuosa, como de forma viciosa. Maquiavel alega também, a importância da aparência, afirmando que, contanto que o povo acredite que o príncipe é um homem virtuoso não importa que ele aja desvirtuosamente.”

Entenderam agora porque “maquiavélico” se tornou uma expressão para designar algo maldoso? Imagina o quanto esse livro não foi criticado em sua época!

Mas talvez você ainda esteja se perguntando: tá, mas porque ele ainda é importante? Bem, não só O príncipe rompe com o manuais extremamente utópicos do período Renascentista, como também ele e os espelhos de príncipes, de forma geral, foram a base do que hoje conhecemos por ciência política.
É interessante também notar que já em 1513, quando Nicolau Maquiavel escreveu o livro, ele já tentava mostrar a importância na unificação italiana (que só foi ocorrer no século XIX e foi plenamente concretizada no século XX).
Outro ponto interessante, é que Maquiavel não era monarquista, pelo contrário, era republicano, mas deseja manter seu cargo público (o que definitivamente não aconteceu, devido à má repercurssão que O Príncipe teve). Entretanto, é possível notar vários comentários irônicos direcionados à monarquia em sua obra.

Por hoje é só, pessoal!

Au Revoir.

*Virtú = uma série de carácterísticas, como generosidade, honestidade, prudência, sabedotria e etc. O homem que possuisse essas qualidades conquistava honra, fama e glória.

3 Responses to “Dica de Livro: O Príncipe”

  1. individualismo de forma consciente !preciso terminar de ler o livron.n

  2. Comprei uma edição desse livro no meio do ano passado, realmente é incrível como um livro que tem séculos de idade pode ser tão atual, né ^ ^ ?Quando terminei de ler, pensei nele como um guia "prático" para dominar o mundo aushuaaa.Boa dica.Bjoos ♥

  3. HuahauahuEu também acho que é um guia pra dominar o mundo xD

Em busca de respostas? Eu também, então deixe seu comentário, opinião ou sugestão que lerei com muito carinho

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