"Que importa que morra o poeta? Importa que não morra o poema!"

Olá, meus amores.

O post de hoje é para quem gosta de poesia (e também para quem não gosta, pois, quem sabe não passa a gostar?). Devo dizer que mesmo a poesia não sendo o meu forte, há sim poetas que eu admiro muito, e meu favorito é Fernando Pessoa. Mas não é dele que eu vou falar hoje rs, vou falar de um poeta brasileiro que pode até não ser tão conhecido assim (pelo menos por aqui, onde pouco se valoriza o que é nacional), mas que é de extrema importância e, se todo mundo pensar bem, vai se lembrar do nome dele, visto nos livros de literatura lá na escola…

Cruz e Sousa é um dos poetas mais importantes do Simbolismo brasileiro, movimento este que é uma escola literária do fim do séc. XIX, surgida na
França como reação ao Realismo e, sobretudo, ao Parnasianismo. Essa
escola caracteriza-se por apresentar uma visão subjetiva, simbólica e
espiritual do mundo
. A primeira obra Simbolista é “As flores do Mal” de
Charles Baudelaire, datada de 1857. Na tentativa de atingir os estados da alma, os Simbolistas valorizam o
sonho, a loucura, a fé, a religião, o misticismo, chegando a atingir
camadas do inconsciente e do subconsciente.
“Cruz e Sousa atravessou a vida num silêncio escuro. Errante, trêmulo,
triste e vaporoso, o negro e sublime poeta nascido na Desterro (SC, atual Florianópolis) de 1861 suportou
o peito dilacerado com a convicção da glória.
O Cisne Negro não se amedrontou diante de austeras portas lacradas.
Maldito pela grandeza e pelo elixir ardente de versos capazes de arrebatar
paixões até a atualidade, quando se completam mais de cem anos
de morte.
De pranto e luar, sangue e sensualidade, lágrimas e terra construiu
uma obra de estímulo às paixões indefiníveis.
Mestre do Simbolismo no Brasil, aliou genialidade a um meticuloso rigor.
Celebrado só depois de morto, o Poeta de Desterro foi um homem apaixonado,
autor de versos transcendentais que ganharam o mundo.
Ele via a perfeição como celeste ciência, mas não
saboreou a imortal conquista. Antes de morrer tuberculoso em Minas Gerais,
em 19 de março de 1898, o poeta ensinou a alma palpitante, a fibra
e sobretudo que ‘era preciso ter asas e ter garras’. 
Foi João da Cruz e Sousa ‘poeta de temática universal’. Teve dores pessoais, sobre as quais não chorou; como faz uma notável quantidade de poetas. Tratou da dor como situação universal, que atinge a todos os seres, emparedando-os inexoravelmente”.

 Cruz e Sousa é um dos patronos da Academia Catarinense de Letras, representando a cadeira número 15.

BIBLIOGRAFIA:

Broquéis (1893, poesia)
Missal (1893, poema em prosa)
Tropos e Fantasias (1885, prosa – em conjunto com Virgílio Várzea)
Evocações (1898, poemas em prosa)
Faróis (1900, poesia)
Últimos Sonetos (1905, poesia)
O Livro Derradeiro (1945, poesia)

Fontes: 

http://artculturalbrasil.blogspot.com/
http://www.cfh.ufsc.br/~simpozio/Cruz_e_Souza/978sc003.html

http://www1.an.com.br/cruz/index.html

—-> Pra facilitar, sugiro logo a obra completa, onde se encontam todos os trabalhos dele em um único volume, além de trabalhos até então inéditos.  = )

Vou postar aqui um dos poemas de Cruz e Sousa, e vocês, digam o que acham, ok?

OLHOS DO SONHO


Certa noite soturna, solitária,
Vi uns olhos estranhos que surgiam
Do fundo horror da terra funerária
  Onde as visões sonâmbulas dormiam… 

Nunca da terra neste leito raso
Com meus olhos mortais, alucinados…

Nunca tais olhos divisei acaso
Outros olhos eu vi transfigurados.

A luz que os revestia e alimentava
Tinha o fulgor das ardentias vagas,
Um demônio noctâmbulo espiava
De dentro deles como de ígneas plagas.

E os olhos caminhavam pela treva
Maravilhosos e fosforescentes…

Enquanto eu ia como um ser que leva
Pesadelos fantásticos, trementes.

Na treva só os olhos, muito abertos,
Seguiam para mim com majestade,
Um sentimento de cruéis desertos
Me apunhalava com atrocidade.

Só os olhos eu via, só os olhos
Nas cavernas da treva destacando:
Faróis de augúrio nos ferais escolhos,
Sempre, tenazes, para mim olhando…

Sempre tenazes para mim, tenazes,
Sem pavor e sem medo, resolutos,
Olhos de tigres e chacais vorazes
No instante dos assaltos mais astutos.

Só os olhos eu via! — o corpo todo
Se confundia com o negror em volta…

Ó alucinações fundas do lodo
Carnal, surgindo em tenebrosa escolta!

E os olhos me seguiam sem descanso,
Suma perseguição de atras voragens,
Nos narcotismos dos venenos mansos,
Como dois mudos e sinistros pajens.

E nessa noite, em todo meu percurso,
Nas voltas vagas, vãs e vacilantes
Do meu caminho, esses dois olhos de urso
Lá estavam tenazes e constantes.

Lá estavam eles, fixamente eles,
Quietos, tranqüilos, calmos e medonhos…

Ah! quem jamais penetrará naqueles
Olhos estranhos dos eternos sonhos!

Obviamente, na obra de Cruz e Sousa podemos encontar versos tais como este, e também outros mais leves, melancólicos, sensuais, fervorosos, desesperados e até mesmo selvagens – isso varia também do ponto de vista de quem lê ; )

Espero que vocês não tenham detestado o post de hoje rsrs, afinal eu só quis dividir com vocês um pouco daquilo que eu gosto. Sem falar que ler de vez em quando não mata, tá?!

Por favor, não deixem de comentar, e aproveitem para dar sugestões de temas que vocês gostariam de ver abordados aqui no blog.

See ya ♥

4 Responses to “"Que importa que morra o poeta? Importa que não morra o poema!"”

  1. Engraçado, sempre que penso em uma escola literária com essas características, ou quando procuro um texto que acredito que vá me agradar sempre recorro ao romantismo. Gostei muito da dica!Vou prestar mais atenção aos simbolistas ^_~

  2. Amo cruz e souza! é um dos meus favoritos e esse poema é lindo demais!

  3. Olá, caro (a) anônimo (a)! Fico feliz com a sua manifestação ^ ^ E sinta-se à vontade para sugerir outros poetas de seu agrado, ok?—> É, Bah, eu tbm era assim hehe. Bjoo ♥

  4. Gostaria de situar mais alguns poetas entre o Simbolismo e o Parnasianismo, porque até hoje não consigo localizar pistas nas obras dos mesmos. Poderíamos começar com os notáveis poetas Raul de Leóni, Alceu Wamosy, José Antonio Jacob e Ribeiro Couto.

Em busca de respostas? Eu também, então deixe seu comentário, opinião ou sugestão que lerei com muito carinho

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