Ideal de Beleza na Subcultura Gótica

Bonjour mes amis obscurs.
Alguns dias atrás lembrei de uma conversa que tive certa vez com um amigo frequentador de eventos góticos daqui do Rio. Recordei-me que falávamos do visual das pessoas que iam às festas. Sinto que, no geral, os adeptos da subcultura gótica não são tão preconceituosos quanto membros de outras tribos. E quando digo isso estou afirmando que um gótico pode ser, alto, baixo, gordo, magro, preto, branco, amarelo, vermelho, rosa com bolinhas brancas, agnóstico, protestante, ocultista, ateu… enfim, a subcultura gótica é laica e liberal (até certo ponto). No que se refere aos eventos que frequento, vejo pessoas de aparências diversas, e acho isso fantástico!
Mas quando eu me descobri gótica tinha 13 anos e acreditava que uma garota dark deveria ser pálida, magérrima e com o cabelo comprido, liso e jogado na frente do rosto. Esse era meu ideal de beleza gótica e eu queria segui-lo de qualquer modo. O cabelo liso jogado no rosto eu já tinha, logo, parei de sair durante o dia, assim não demorou para ficar pálida com aparência anêmica. Mas e magérrima? Nunca fui de comer muito, mas também não era magrinha, portanto, minha solução “brilhante” para o problema foi comer menos ainda, muito menos, e se comece algo engordativo como um pedaço de torta, vomitaria. Infelizmente nem sempre eu conseguia vomitar, deste modo, minha segunda ideia brilhante foi tomar laxantes. À princípio, um comprimido por dia, depois dois, três, quatro, cinco… passei a tomar laxantes e vomitar pelo simples fato de ter comido.
Funcionou? Claro! Emagreci 10 kg em pouquíssimo tempo, mas não fiquei satisfeita. Todo mundo dizia que eu estava horrorosa. Eu, obviamente, achava que estava à caminho da perfeição. Mas a verdade é que eu nunca fui realmente gorda, herdei geneticamente um quadril grande e coxas grossas, e não importava o quanto eu emagrecesse ele não diminuía e minhas coxas não afinavam como eu desejava. E quando parei de emagrecer, mesmo com todas aquelas prática suicidas, cheguei ao fundo do poço em depressão.
O que eu ganhei com isso? Uma bela de uma gastrite e dois pólipos gástricos. Para quem não sabe o que diabos são os pólipos gástricos, eles são tumores benignos. Precisei fazer tratamento psicológico e nutricional, tomar antidepressivos, calmantes…
Confesso à vocês, ainda hoje todos os dias travo uma luta contra o espelho.

O que eu quero passar da minha experiência é o seguinte: Vivemos num mundo ditador! Querem definir o que é belo e o que não é e a subcultura gótica, apesar de muito mais flexível, não é diferente. Felizmente, ainda assim, encontramos pessoas que estão mais preocupadas com conteúdo que com aparência. Se você acha que está precisando mudar algo, contanto que seja de forma saudável, mude. Mas antes de qualquer mudança radical, responda para si mesmo: Estou querendo mudar porque realmente acho legal ou estou seguindo um padrão definido por outras pessoas? Concluindo, desejo realmente que o espelho não seja o fator que nos defina, mas que antes de tudo, sejam nosso princípios e atitudes a dizer quem realmente somos. Não esqueçam de me dizer o que pensam a respeito. Au Revoir

5 Responses to “Ideal de Beleza na Subcultura Gótica”

  1. Vivemos, sem dúvida, numa sociedade de consumo estimulada por valores fúteis e alienantes. Quanto à ditadura estética, é somente um meio de fazer com que as mulheres reais idolatrem símbolos fabricados, anoréxicos, falsificados ou mulheres exuberantemente exageradas e piranhas, simplesmente. Mas pode ter certeza de que você, minha amiga, é diferente das demais. Sua luta contra o espelho não é necessária, pois você é linda e, além disso, inteligentíssima. Parabéns pelo post bem escrito. E um beijo grande.

  2. ScaryBom como toda subcultura atual procura esteriotipar tudo…fazer tudo de uma maneira padrão pra todos serem realmente iguais e para se denominar isso ou aquilo…o problema de ideais de beleza é que são tão vãos como passageiros,afinal todos tem um fenótipo diferente conforme a herança genética e cada era visa dizer que um fenótipo é o padrão…acho que certa graça da cena é a criatividade de adaptação do fenótipo com as subculturas,seja uma pessoa que curta subcultura gotica,punk,skinhead,metal ,indie o que for…Bjão amor

  3. Parabéns por ter superado e de certa forma se libertado um pouco dessa pressão de marketing que a mídia e a sociedade nos impõe desde quando somos pequenos… o bem estar e a felicidade agente só encontra dentro de nós mesmos, parece clichê, mas é uma das coisas mais dificeis de se conseguir hoje em dia, nós nascemos acreditando que pra sermos felizes temos de ter um emprego fixo e seguro, uma casa, um carro e uma família perfeita… nada disso traz felicidade se você não souber quem você realmente é e o que realmente quer e ama, e com tantas influencias de tantos lados diferentes, isso está cada vez mais dificil… parece que voc~e se encontrou de certa forma, parabéns, mesmo ^^ e felicidades em suas buscas (a verdade é que o gostoso da vida é a aventura de procurar aquilo que se deseja, se nós descobrirmos isso muito cedo a vida passa a não ter graça, os riscos e as experiências, mesmo as furadas valem a penã, não valem😄 )

  4. Sobre a tribo gótica ser menos preconceituosa eu discordo.Já vi cenas de exclusão, mas o problema nem são as tribos em geral, mas sim pessoas que fazem parte dessas tribos.Afinal conduta, caráter, valores você trás consigo mesmo de berço.Lendo seu relato é triste, mesmo você tendo superado, é triste.Pois padrões perseguem tribos,classes, moda.E quem tem alguma fraqueza acaba cedendo á esses padrões doentios.A mídia (underground ou não) dita o padrão de beleza, e para não ser dominado tem que ter uma grande auto-estima, olhar-se e ver que a beleza está em você e não naquilo que as pessoas ditam.Fico triste, e ao mesmo tempo decepcionada lendo blogs e afins com meninas se dizendo depressivas por coisas fúteis, e tratando distúrbios psicológicos como estilo de vida e personalidade.E não é fácil sair de uma depressão e eu bem sei disso, está na moda hoje ficar tristonho e dizer para todo mundo que está depressivo,ou ter mudanças de humor repentinas e dizer-se bipolar.Além de já ter sofrido depressão, trabalhei na área da saúde por 2 anos, e sei o que é bipolaridade.Ninguém sai por ai escrevendo e dizendo ser Bipolar, não é legal.Mas espero que muitas leiam o que fora escrito por você, e acabem refletindo!Küss

  5. Parabéns, Bárbara. Não só pelo post excelente, mas também por toda sua superação. Gostaria de apoiar o que foi dito pela Marcela Lima, também acredito que até mesmo na cultura gótica tem muita gente preconceituosa e que muitos padrões são impostos. Como ela disse, o problema não é a cultura, e sim as pessoas. Eu também acho patética essa banalização de problemas psicológicos, isso não é questão de personalidade, é uma questão de saúde, muito séria e particular.Mas enfim, meus parabéns a você novamente e carry on! ^ ^Bjoss.

Em busca de respostas? Eu também, então deixe seu comentário, opinião ou sugestão que lerei com muito carinho

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