Nos ultimos dias a câmera tornara-se sua única e mais fiel amiga, não apenas por que pelas suas lentes distorcidas podia esconder seu olhar perdido, mas também por que a acompanhava a qualquer lugar que fosse. Era só olhar pela janela, observar as pessoas e logo aquela cena se transformava num quadro onde se via caminhos para diversas interpretações, diversos cliques.
E com a câmera na mão andava sozinha, nunca se sentira tão solitária nos ultimos tempos como se sentia agora, e segurava a máquina com força sobre o colo, quem desconfiaria da solidão de uma fotógrafa? Ninguém imaginaria que caminhava soturnamente por falta de companhia, pensaria que era sua forma de arte, que não queria ser incomodada ao captar o mais intimo de algum momento que ocorria diante de seus olhos.
Mas ela estava sozinha, por fora e por dentro… em seu interior era um poço de dúvidas… fotografava as nuvens, o pico de um arranha-céu, em busca de respostas para perguntas bobas que lhe circulavam a mente: Em algum lugar, longe dali, alguem pensara nela? Em algum lugar, em qualquer lugar, alguem fotografava uma cena pensando nela?
Olhou para o visor do celular, nenhuma mensagem, nenhuma ligação perdida… estava sozinha, ninguém sentia sua falta ou lembrava-se dela naquele segundo… nenhum amigo, familiar ou…. ninguém.

Abriu a lente da câmera e fotografou um indigente, que como sempre passou, e nem mesmo acenou.

Em busca de respostas? Eu também, então deixe seu comentário, opinião ou sugestão que lerei com muito carinho

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: